domingo, 13 de novembro de 2011

Daqui a pouco passa...


Daqui a pouco...passa...

É verdade, agora espero muito mais as novidades,
vou esquecer de ler as manchetes diárias dos horrores,
ficarei distante das lembranças doídas deste insano mundo,
quero ver brotar mais flores, muito além do meu eterno jardim,
e de manhã, ao acordar, haverá muito mais que barreiras no horizonte...

Quero aprender a rezar direito, ou fazer por merecer alguma benção,
sem pensar demais no que acontece aquí dentro, não sou centro de nada,
prefiro agora fixar minha atenção no absurdo perfil carente dos que não falam,
acho que a dor deixou seus corações emudecidos, e as palavras perderam o sentido,
e também, pode ser que a sua fome seja o motivo de ter nos olhos tanto brilho escondido...

Vou fazer de conta que não existem mais tantos seres transvestidos de bons humanos,
administrando muito além de posses, degenerando qualquer possível resto de dignidade,
achando que lhes convém apenas o desfrute material e o resto que se dane, é o resto mesmo,
não são iguais, os mantém ali, aprisionados na ignorância maltrapilha dos sem vontade e mérito...

Também vou me esconder de ver as maldades de guerras, com armas, descalábrios e fúrias,
destruindo as obras que fundamentavam as bases não só de crenças, mas de muitas famílias,
deixando atrás de si além das manchas sanguinolentas, apenas herdeiros do tempo de desperdício,
onde alguns andam com falta de membros, e outros ainda tão pequenos, acham normal serem considerados bastardos, verdadeiros vermes desta sociedade materialista, criada pelos que se autonomearam como os donos de um pedaço da Terra...

Não quero mais saber dos falsos idealistas, frutos podres da corrupção em ascenção,
sempre nos pedindo o abono que os eleve cada vez mais alto até chegar ao topo do trono,
e em todo o reinado ficamos pasmos admirando, as “grandes obras” a destruir a natureza,
fazendo testes nucleares nos mares, modificando a geografia e poluindo até as nossas mentes,
movem as montanhas de um lado e exportam para o outro por mais alguns milhares de trocados,
não se importam com a sujeira ou com os espaços estéreis, decerto pensam ser os novos deuses...

E no começo destas minhas mudanças, pretendo eventualmente doar os meus talentos,
quero fazer com que saia da minha boca não apenas mais um som de tolo veneno,
e dos meus versos vou tentar criar sempre um verdadeiro manifesto,
não para dizer que vejo apenas as dores deste mundo,
mas, quero mostrar que os anseios,
ainda podem ter a cor amor,
o ar gerando a vida,
há a luz ou não...
Verafonseca 30/10/2011

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